Caneta, papel e solidão,
peça matriz do quebra-cabeça "doloroso".
Escrevo logo esqueço...
embriago-me na ilusão de pertencer aos feitos de papel,
léu,
escarcéu.
Como pode sentir
felicidade
este ser que inconsolada lambe palavras e alucina?
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Panorama
Cara ou coroa?
Ontem voltando da noite resolvi passar por lá, encostei-me na beiradinha do grande poço e por um segundo refleti as idas ali, todas despropositais claro, mas todas com o mesmo fim.
Excitei-me com a idéia de um novo pedido, algo diferente do comum... mas qual! como é difícil pensar em algo diferente do ser que se ama.
Pensei na bobagem de estar ali dando crédito à futilidade de um exagero. Resolvi tentar. A imagem nao me abandonava, hoje mais desbotada mas ainda excercendo o fascínio que estende ao mais sério risco contra o verdadeiro amor: o amor-próprio.
Pensei em mim, resolvi calcular as conquências do ocorrido e diferente das vezes que em silêncio pedi "quero ele", dessa vez fechei os olhos, respirei profundamente e em alto e bom som disse "quero ser feliz, com ou sem ele!"
Joguei a moeda, voltei para casa e em paz dormi com meu desejo realizado.
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